Se o Campus Blog tornou-se um evento decisivo para as discussões sobre mídias sociais, talvez nenhuma palestra tenha sido tão firme nas previsões para os próximos meses quanto o debate Relações Públicas 2.0, cujo painel foi formado por Mário Soma, diretor e sócio do Grupo RMA, Thiane Loureiro, diretora regional da Edelman Digital para a América Latina, e Eduardo Vieira, da Agência Ideal, com a mediação do jornalista Eduardo Vasques. O evento ocorreu nesta quinta-feira (22).

“Foi a melhor palestra”, afirmou categoricamente o blogueiro Nick Ellis, um dos espectadores da mesa. Entre as afirmações devidamente transmitidas via Twitter estava a de Thiane sobre o futuro das campanhas: “o ideal é uma agência que pense no buzz desde o início, e que depois da campanha haja uma empresa de Relações Públicas para a fidelização de todos”. A Relações Públicas Carolina Mendes aprovou o debate, mas viu muitas dificuldades no caminho da comunicação corporativa na Web:

Acho que o mais desafiante é mudar a cultura. Entendermos que existe um nicho e saber como conversar com ele, que estamos em um mundo novo é algo bem difícil. Nem todos estão tão antenados. Você pode explicar para as empresas o que é o Twitter, mas vai ser bem difícil tentar fazer com que a corporação entre naquele mundo.

A questão da mudança das culturas foi considerada chave para o futuro da comunicação nas mídias sociais. E como chegar nessa transformação? Vieira frisou que um parâmetro importante é reduzir a “pegada” publicitária que existe nos trabalhos de agências sociais, aumentando o perfil de RP nessas campanhas. Mas fez uma ressalva: “Boa parte das assessorias mal se relaciona bem com um jornalista, quanto mais com um blogueiro”.

Segundo o desenvolvedor Manoel Netto, a tendência é de maior transparência e relações mais diretas com o consumidor. Ele vê o atual momento como uma chance para todos mudarem de postura. Afinal, este é um mundo em que é muito mais fácil reclamar da empresa pelo Twitter do que pelo SAC da empresa.

Em outro evento que fui sobre internet, um profissional disse que dar muito poder de comunicação para os clientes poderia transformá-los em tiranos. Mas todos precisam entender que o cliente é o seu chefe. Se ele não gosta, é ruim; se é ruim, ele não compra; se ele não compra, não pagam o seu salário.

Apesar das mudanças, a produtora cultural Liliane Ferrari não vê diferenças éticas no lado da comunicação. “Ética é uma só. Você tem ou não tem”. Para ela, as ações vão continuar, mas o relacionamento será um conceito mais valorizado. Afinal, quando se fala em PR 2.0, estamos nos referindo a menos e-mails e mais comentários, menos ações e mais interações.

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