A edição deste ano do evento, que acaba de acontecer em São Paulo, moveu-se por diversas épocas. Por vezes, palestrantes e espectadores atravessaram séculos e fatos para discutir o cenário digital. O professor Sergio Amadeu, da Faculdade Cásper Líbero, alertou para os o perigos que a “criminalização do compartilhamento” gera para todos os usuários e internet. Por sua vez, Marcelo Coutinho, diretor do IBOPE Inteligência, se preocupou com desafios que a economia precisa enfrentar. “Um terço das pessoas ainda não fez uma ligação de telefone”.
Mas o Intercon se resumiu a desafios? Não. Tendo o passado como pano de fundo, o evento descartou preconceitos comuns nas discussões do cenário online.
“O mundo não está menos egoísta”, analisou Carlos Nepomuceno, do Instituto de Inteligência Coletiva. Ele descartou a revolução digital e deu exemplos de colaboração e reestruturação que nossa sociedade viveu em outros momentos. Uma de suas falas mais retwitadas (ou simplesmente comentadas) lembrou que “relevância” está longe de ser um conceito das redes sociais: “Jesus inventou o twitter da época: ele tinha seguidores, que ganharam seguidores”. Em meio a aplausos e elogios da platéia, as palestras do Intercon deixam de legado diversas questões. Por exemplo, como o que falta para as empresas aproveitarem ainda mais esses canais?
“Eu não sei. E acho que ninguém sabe a resposta exata para isso. Tudo parece óbvio, mas o difícil é usar essas redes e construir algo que dê liga”, disse Cazé Peçanha, que não pôde fazer sua palestra por um problema de garganta. Dentro do mesmo assunto, Viviane Vilela, do Sebrae, alertou que boa parte dos empreendedores digitais não sabe fazer um plano de negócios, “ou está com tudo desatualizado”. O futuro mais iminente ainda caminha para um cenário em que a jornada – e o que você aprende nela – pode ser mais importante do que o destino final. “Precisamos ter menos medo de errar”, resumiu o palestrante Maurício Mota, que falou sobre como usar o ato de contar histórias para mudar o mundo da propaganda.
Talvez a melhor previsão esteja em uma das lembranças de Sérgio Mugnaini em sua palestra Luddites na indústria da comunicação – A resistência das pessoas às novas tecnologias. Ao falar da necessidade de combinar a experiência de profissionais que vieram antes da web com a juventude dos que cresceram com PCs, ele lembrou que há um futuro nem tão distante assim. “Haverá um dia em que as pessoas que vieram depois da internet vão ser também as que têm mais experiência”, afirmou.
























